Olá, é um prazer ter sua companhia !

"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem."

( Carlos Drummond de Andrade )


sábado, 19 de setembro de 2009

DICA DE LEITURA

O livro A História do Gato, que pertence à série "Lelé da Cuca", da Ática, bem que poderia se chamar "As aparências enganam". No enredo do livrinho, um bichano é muito querido pelos seus iguais, mas é desprezado pelas madames, donas de seus amigos. O gatinho, muito chateado, procura a ajuda de outros animais e se revela um bichinho muito mais lindo que os gatos riquinhos.

A série Lelé da Cuca foi originalmente criada em língua inglesa. Os autores de A História do Gato são Jackie Robb e Berny Stringle e seus ilustradores Karen Duncan e Samantha Stringle. Na edição da Ática, a tradução é de Luciano Vieira Machado e, a supervisão pedagógica, da professora Madalena Freire.

Humor, leveza e poesia do texto são marcas da séria, na avaliação de Claudia Morales, editora-adjunta da Ática. "É importante ressaltar também a alta qualidade do trabalho gráfico e das ilustrações, muito atrativo, inusitado e de fácil empatia e assimilação", explica.

A série "Lelé da Cuca" é destinada a crianças não-alfabetizadas ou em fase de alfabetização e apresenta os seus textos em versos, além de utilizar um recurso pedagógico muito importante, que é a escrita em letras maiúsculas ou letra de fôrma. "Primeiro, a criança aprende a ler e, logo depois, a escrever", lembra a professora Madalena Freire. "As letras dispostas como estão na série facilitam demais o aprendizado."

Além de A História do Gato, a série tem publicados outros livros, como A História da Lesma, A História do Tatu e A História do Cão.


A História do Gato

Jackie Robb e Berny Stringle
30 páginas

Ensinar e Aprender…

Madalena Freire em "O sentido dramático da aprendizagem", capítulo do livro A paixão de Aprender, escreve:

"O educador educa a dor da falta, cognitiva e afetiva, para a construção do prazer. É da falta que nasce o desejo. Educa a aflição da tensão da angústia de desejar. Educa a fome de desejo. Um dos sintomas de estar vivo é a nossa capacidade de desejar e de nos apaixonar, amar e odiar, destruir e constuir. Somos movidos pelo desejo de crescer, de aprender, e nós, educadores, também de ensinar. Instrumental importante na vida do ensinar do educador é o ver (observação), o escutar e o falar. Assim como, para estar vivo, não basta o coração batendo, para ver não basta estar de olhos abertos. Observar, olhar o outro e a si próprio, significa estar atento, buscando o significado do desejo, acompanhar o ritmo do outro buscando sintonia com este. A observação faz parte da aprendizagem do olhar, que é uma ação altamente movimentada e reflexiva. Ver é buscar, tentar compreender, ler desejos. Através do seu olhar, o educador também lança seus desejos para o outro. Para escutar, não basta, também, só ter ouvidos. Escutar envolve receber o ponto de vista do outro (diferente ou similar ao nosso), abrir-se para o entendimento de sua hipótese, identificar-se com sua hipótese, para a compreensão de seu desejo. Para falar, não basta ter boca, é necessário ter um desejo para comunicar, pois todo desejo pede, busca comunicação com o outro. Também, "todo o desejo é o desejo do outro". É o outro que me impele a desejar… É na fala do educador, no ensinar (intervir, devolver, encaminhar), expressão do seu desejo, casado com o desejo que foi lido, compreendido pelo educando, que ele tece o seu ensinar. Ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão."

Veja aqui os detalhes sobre a animação feita por Josh Burton.


Fonte: Miriam Salles*

Poesia - Madalena Freire



Vida de Educador

Educador
Educa a dor da falta
a dor cognitiva
Educando a busca de conhecimento.

Educador
Educa a dor do limite
a dor afetiva
Educando o desejo.

Educador
Educa a dor da frusração
a dor da perda
Educando o humano, na sua capacidade de amar.

Educador
Educa a dor do diferenciar-se
a dor da individuação
Educando a autonomia.

Educador
Educa a dor da imprevisão
a dor do incontrolável
Educando o entusiasmo da criação.

FREIRE, Madalena. Educador, educa a dor. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Paulo Freire e a tecnologia

O Professor Eduardo Chaves enviou à lista 4 pilares essa citação oral de Paulo Freire em um ví­deo intitulado "O Futuro da Escola: Paulo Freire e Seymour Papert", da TV PUC-São Paulo:

"Eu constato que a escola está péssima, mas eu não constato que a escola esteja desaparecendo e vá desaparecer. Por isso, então, eu apelo para que nós que escapamos da morte da escola e que estamos sobreviventes: modifiquemos a escola. Para mim a questão não é acabar com a escola, mas é mudá-la completamente, é radicamente fazer com que nasça dela, de um corpo que não mais corresponde à verdade tecnológica do mundo, um novo ser tão atual quanto à tecnologia".




http://miriamsalles.info/wp/?cat=23&paged=2

Paulo Freire Contemporâneo

Navegando pelo portal Domínio Público, encontrei o documentário "Paulo Freire Contemporâneo" de Toni Venturini.

O documentário, que venceu um concurso da TV Escola em 2006, mostra o pensamento de Paulo Freire e como suas idéias continuam atuais, inclusive para a educação ambiental.

Parte I

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Parte II

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Vale indicar aqui o artigo de Moacir Gadootti, "ATUALIDADE DE PAULO FREIRE: Continuando e reinventando um legado".

CANÇÃO ÓBVIA


"Toda a boniteza da vida aparece na "canção óbvia" de Paulo Freire, publicada na Pedagogia da indignação (2000) lançado após a sua morte:"

Escolhi a sombra desta árvore para

repousar do muito que farei,

enquanto esperarei por ti.

Quem espera na pura espera

vive um tempo de espera vã.

Por isto, enquanto te espero

trabalharei os campos e

conversarei com os homens

Suarei meu corpo, que o sol queimará;

minhas mãos ficarão calejadas;

meu pés aprenderão o mistério dos caminhos;

meus ouvidos ouvirão mais,

meus olhos verão o que antes não viam,

enquanto esperarei por ti.

Não te esperarei na pura espera

porque o meu tempo de espera é um

tempo de quefazer.

Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,

em voz baixa e precavidos:

É perigoso agir

É perigoso falar

É perigoso andar

É perigoso, esperar, na forma que esperas,

porque esses recusam a alegria de tua chegada.

Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,

com palavras fáceis, que já chegaste,

porque esses, ao anunciar-te ingenuamente,

antes te denunciam.

Estarei preparando a tua chegada

como o jardineiro prepara o jardim

para a rosa que se abrirá na primavera.

PARA PENSAR



“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.”
Paulo Freire