Olá, é um prazer ter sua companhia !

"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem."

( Carlos Drummond de Andrade )


domingo, 17 de maio de 2009

BIOLOGIA



Plantas carnívoras existem mesmo?
Descubra como são elas e por que não devemos temê-las!


Era um filme chato. Falava de uma planta murcha. O dono já tinha tentado de tudo para animá-la. Um dia, deu umas gotinhas do seu próprio sangue para ela, e a planta gostou. Cresceu à beça, alimentando-se só de sangue. Ficou do tamanho de uma sala. Enorme. E achou sangue pouco: queria comer uma pessoa inteira! "Que filme besta!", disse, quando saí do cinema. Mas depois, em casa, fiquei pensando, pensando... Lendas, filmes, histórias em quadrinhos, desenhos animados: tantas histórias de plantas que comem gente! Afinal, existem mesmo plantas carnívoras?


Na exposição DNA 50 - Descobrindo o segredo da vida, você pode montar uma deliciosa molécula gigante de DNA com balas jujuba!


Uma joaninha aproxima-se inocentemente da planta. Dá umas rodeadas e pousa. A planta é um tanto peluda, e nos pêlos há gotas que parecem de orvalho, brilhando à luz do sol. As cores são bonitas e a joaninha acha lindos os pêlos. Mas o que a joaninha não sabe é que eles soltam uma substância viscosa na qual ela vai ficar presa. A joaninha pousou numa ’planta carnívora’.

Diferentemente das que aparecem no cinema, as plantas carnívoras de verdade são pequenas e delicadas. Elas têm em média 15 centímetros. As maiores podem chegar a medir dois metros de altura. Só têm capacidade de capturar e digerir animais miúdos, em geral insetos. Por isso, os pesquisadores preferem chamar essas plantas de insetívoras.

As plantas insetívoras também fabricam seu alimento, mas só isso não é suficiente para suprir suas necessidades vitais. Por isso, os insetos que elas capturam são um complemento alimentar. O processo de captura e digestão do animal varia de planta para planta, dependendo da espécie. Alguns processos de captura são bem simples: é o caso da planta chamada drósera, que prendeu a joaninha. Outras espécies apresentam formas especiais para a captura de suas presas. As plantas que se chamam dionéias, por exemplo, têm folhas que se movimentam, fechando-se sobre o inseto, que fica preso lá dentro. Outros grupos, como as nepentes e sarracênias, têm na extremidade da folha uma grande urna que se enche de uma substância líquida. Quando o inseto vai beber esse líquido, fica preso na urna onde é digerido.

A formiga foi capturada por uma dionéia, planta
popularmente conhecida como papa-mosca


Existem no mundo 450 espécies de plantas carnívoras, divididas em seis famílias diferentes. No Brasil, apenas duas dessas famílias são comumente encontradas, em certas regiões. Mas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro existe uma estufa de plantas insetívoras. Lá estão exemplares das seis famílias dessas plantas que, na estufa, são cultivadas em condições especiais para se adaptarem ao clima carioca.

As plantas insetívoras devem ser plantadas numa mistura de pó de xaxim e musgo. A mistura deve estar sempre úmida, para imitar o ambiente natural onde as plantas vivem. Muitas delas florescem normalmente e outras, como as nepentes, raramente entram em floração fora de seus países de origem.


adaptado do artigo originalmente publicado
em Ciência Hoje das Crianças 18 escrito por:
Vera Lúcia Gomes Klein,
Botânica Sistemática / Jardim Botânico do RIo de Janeiro
e Luisa Massarani,
Ciência Hoje/RJ

http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1069

ARTES

A música está no ar
Diná constrói um instrumento musical diferente no programa Pequenos Cientistas


Você sabe o que é um xilofone? Então, precisa assistir ao programa Pequenos Cientistas, da TV Rá Tim Bum.

Nesta edição, dedicada à música, a atração traz a mascote da revista Ciência Hoje das Crianças, Diná, às voltas com a construção desse instrumento musical de nome esquisito: o xilofone. Além disso, leva você para conversar com uma especialista em música, que explica o que faz um som ser diferente do outro.

No ar de segunda a sexta, às 19h25, e aos sábados e domingos, às 20h, Pequenos Cientistas quer levar você, assinante da Net, Sky e TVA, a descobrir o lado curioso e divertido da ciência, na companhia de uma dupla pré-histórica, mas muito antenada.

Clique na tela abaixo e assista a um trecho do programa que fala sobre música. Mais informações e vídeos dessa atração, além de atividades e papéis de parede para o seu computador com desenhos do Rex e da Diná, você encontra aqui. Meninos e meninas, é hora de ver os dinossauros na TV!



DICA DO BLOG DA SOLANGE


28/04/2009

Dormir bem pode reduzir hiperatividade infantil, diz estudo



Fernando Moraes/ Folha Imagem
Criança dorme em creche
Criança dorme em creche




Uma boa noite de sono pode reduzir a hiperatividade e o mau comportamento entre crianças, segundo um estudo feito na Finlândia.

Já se sabia que crianças que não dormem bem podem, apesar de nem sempre demonstrar cansaço, apresentar mudanças de comportamento.

O novo estudo, publicado na revista científica Pediatrics, obteve dados concretos que parecem comprovar a teoria.

Ele concluiu que, entre as 280 crianças participantes, as que dormiam menos de oito horas por noite eram as mais hiperativas.

Os especialistas responsáveis acreditam que o sono adequado poderia melhorar o comportamento das crianças saudáveis e reduzir os sintomas das que sofrem do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (ADHD na sigla em inglês).

A equipe por trás do novo estudo disse que pouco se sabe sobre o papel do sono nas vidas das crianças, mas segundo estimativas, um terço das crianças nos Estados Unidos não dormem o suficiente.

Monitoramento

A equipe da University of Helsinki e do National Institute of Health and Welfare da Finlândia estudou 280 crianças saudáveis com idades entre sete e oito anos.

Os especialistas queriam saber se as crianças saudáveis que dormiam menos eram as mais propensas a apresentar sintomas associados com ADHD. Nenhuma das crianças participantes sofria de transtorno de atenção.

Os pais preencheram questionários sobre os hábitos de dormir dos filhos e depois anotaram a quantidade de horas que as crianças dormiram durante um período de sete noites.

As crianças foram equipadas com actigraphs, pequenos dispositivos eletrônicos que registram a atividade física do portador - e também períodos de repouso - 24 horas por dia.

Ligação

As estimativas dos pais dos períodos de sono dos filhos se revelaram maiores do que as medidas.

Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer porque as estimativas dos pais foram baseadas no horário habitual de os filhos irem para a cama, ou porque os pais achavam que a criança estava dormindo quando na verdade ela estava acordada na cama ou lendo.

Os pais também responderam perguntas sobre o comportamento dos filhos, baseadas em questionários usados para diagnosticar o transtorno de déficit de atenção.

As crianças com períodos médios de sono inferiores a 7,7 horas por noite apresentaram maior hiperatividade e maiores índices de comportamento impulsivo.

Elas também apresentaram mais sintomas de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.

"Nós fomos capazes de demonstrar que o sono de duração curta e a dificuldade para dormir estão associados a sintomas de ADHD", disse a pesquisadora responsável pelo estudo, Juulia Paavonen, do Finnish National Institute of Health and Welfare.

"Os resultados indicam que manter horários de sono adequados entre crianças pode ser importante na prevenção de sintomas comportamentais."

Fonte: http://criancas.uol.com.br/novidades/bbc/ult4551u158.jhtm

A EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL

INFORMAÇÂO

A Educação Básica é composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O objetivo da Educação Básica é assegurar a todos os brasileiros a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores [LDBEN Art. 21 e 22]. Dois são os principais documentos norteadores da Educação Básica: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e o Plano Nacional de Educação - PNE, Lei nº 10.172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil.

O Conselho Nacional de Educação - CNE atua no desempenho das funções e atribuições do poder público federal em matéria de educação. Suas ações são normativas, deliberativas e de assessoramento ao Ministro de Estado da Educação. Compete ao Conselho e às Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior exercerem as atribuições conferidas pela Lei 9.131/95. A Câmara de Educação Básica tem como atribuições analisar e emitir pareceres sobre procedimentos e resultados de processos de avaliação da educação infantil, fundamental, média, profissional e especial, deliberar sobre diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação; e acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
A LDB regulariza em âmbito nacional, a base comum do currículo, a carga horária e presença mínima em aula e as formas de promoção de série, cabendo aos estados, municípios e até mesmo às escolas a normatização das peculiaridades regionais e locais, curriculares e de calendário, de promoção de série e a expedição da documentação escolar de cada aluno da educação básica.
O Plano Nacional de Educação estabelece metas decenais para todos os níveis e etapas da educação, apontando para que estados e municípios criem e estabeleçam planos semelhantes compatíveis com as metas nacionais. A SEB conta com o Programa de Avaliação e Acompanhamento do PNE e dos Planos Decenais Correspondentes, que realiza a avaliação do PNE e estimula estados e municípios a criarem seus planos correspondentes e avaliarem-no a cada cinco anos, de acordo com a própria lei. Todas as ações e programas da SEB visam o alcance das metas do PNE.

Atuais Políticas e Programas da SEB

O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, lançado em 24 de abril de 2007, pela União Federal, em regime de colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, conta com a participação das famílias e da comunidade, mediante programas e ações de assistência técnica e financiera, visando a mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica. O Plano foi lançado por meio do decreto Nº 6.094, publicado no Diário Oficial da União em 25 de abril de 2007.

O Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE. Educação básica de qualidade. Essa é a prioridade do Plano de Desenvolvimento da Educação. Investir na educação básica significa envolver todos, pais, alunos, professores e gestores, em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. Significa também investir na educação profissional e na educação superior, porque elas estão ligadas, direta ou indiretamente.
Plano de Desenvolvimento da Educação
O Compromisso Todos pela Educação
O Termo de Adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica , e
Todos os Programas da SEB.

Estatísticas, Censos e Avaliação sobre a Educação Básica

As Estatísticas, Censos e Avaliações sobre a Educação Básica são realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, órgão do MEC. Elas podem ser consultadas ao clicar nas palavras em azul claro:
EdudataBrasil - Sistemas de Estatísticas Educacionais;
Gastos com Educação;
Sinopses Estatísticas da Educação Básica.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ORIGAMI

Criar um Cão
Que tal um cão de guarda para proteger os modelos que fores constuindo ?





Ver a legenda



Instruções
1. Pega num quadrado de papel e dobra duas pontas em direcção ao centro.
2. A ponta que ficou em baixo deve ser dobrada para cima.
3. Dobra um pouco da parte de baixo para cima novamente.
4. Agora dobra o modelo ao meio (horizontalmente).
5. Para as patas deves dobras as pontas de baixo para cima ...
6. ... e novamente para baixo.
7. É a vez da cabeça. Dobra o 'bico' para baixo dobrando o modelo a meio e na diagonal.
8. Puxa as orelhas para a frente.
9. Para fazeres o nariz tens que espalmar o modelo e dobrar o 'bico'.
10. Volta a dobrá-lo para trás.
11. E pronto. Basta voltar a dobrar o modelo ao meio (como estava no passo 8) e já está.

Construir uma Rã
Este é um modelo que poderás usar em alguns jogos.
Constroi-os em diversas cores e 'faz corridas' com os teus amigos.





Ver a legenda



Instruções
1. Vinca o papel ao meio.
2. Vinca a ponta superior esquerda dobrando-a até chegar à margem contrária.
3. Faz o mesmo com a outra ponta.
4. Vinca a parte superior do papel pelo ponto onde as diagonais se encontram.
5. Junta as margens do papel primindo onde indicado.
6. Dobra as pontas para cima.
7. Dobra as margens para dentro.
8. Dobra as ponta superiores do interior para o exterior.
9. Dobra o papel ao meio.
10. Volta a dobrar ao meio a parte de baixo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CIÊNCIAS

Ciências

Plano de Aula Ensino Fundamental I

Animais "faxineiros"

Bloco de Conteúdo
Ciências Naturais

Conteúdo
Seres Vivos

Objetivos
- Aprender a importância de animais necrófagos.
- Debater a noção de "nojento": ela se aplica aos animais?

Conteúdo
Decomposição.

Anos
3º e 4º.

Tempo estimado
Uma aula.

Material necessário
Imagens de animais necrófagos.

Desenvolvimento
1ª etapa
Comece perguntando aos alunos quem gostaria de ter um urso panda ou um cachorro como bicho de estimação. É bem possível que todos os alunos respondam que gostariam. Agora, faça uma provocação: e um urubu, quem gostaria de ter? Provavelmente, você verá caretas e ouvirá vaias. Aproveite a reação para questionar: o que esses animais têm de tão terrível? Certamente o nojo e o fato de eles não brincarem devem ser as respostas mais frequentes.

2ª etapa
Continue a discussão perguntando sobre qual o papel do urubu. Distribua aos estudantes a reportagem Como os Urubus Conseguem Comer Carne Podre?, da revista Mundo Estranho, disponível no site de Nova Escola. Peça que eles encontrem no texto a razão de as aves preferirem esse cardápio e da função que elas acabam cumprindo com sua alimentação. Com base nas respostas, aponte que, diferentemente do que se pensa, urubus são inofensivos e desempenham um papel fundamental: comendo restos de animais mortos e de lixo, ajudam a transformar o que parecia perdido, sem utilidade, em nutrientes importantes que vão para o solo (o material que sai na excreção são substâncias orgânicas mais simples do que aquelas que compunham o ser vivo que morreu, pois já passou por digestão). Assim, ajudam outros grupos de seres vivos com fama ruim: fungos e bactérias. Esse nível de aprofundamento já é suficiente, pois, nessa faixa etária, ainda não é necessário enveredar pelas definições de necrófago, decompositor ou detritívoro (como as minhocas, que se alimentam de restos de vegetais na terra).

3ª etapa
Explique que outro animal com função semelhante é o camarão. Por isso, ele recebe o nome de "lixeiro do mar". Peça aos alunos que descrevam o trabalho do lixeiro: recolher o lixo e acondicioná-lo em um local adequado, ou encaminhá-lo para a reciclagem. Conhecendo o trabalho desse profissional, ele se parece com o feito por urubus e camarões? Mostre que são mais recicladores do que lixeiros.

4ª etapa
Hora de mostrar que até mesmo as estratégias de reprodução desse grupo de animais podem ajudar na tarefa da decomposição. Explique que muitas moscas e besouros colocam seus ovos em matéria em decomposição. Desses ovos sairão larvas, que também terão um papel de necrófagos. Outro grupo de besouros que se alimenta de restos são os famosos rola-bosta, nome popular de um besouro que rola pequenas esferas de fezes, nas quais coloca seus ovos, cujas larvas se nutrem da matéria em decomposição.

Avaliação
Por meio de perguntas, verifique se o olhar da turma sobre necrófagos e decompositores mudou com base no novo conhecimento adquirido. Em termos de conteúdo, o fundamental é que os alunos tenham entendido o conceito de que os nutrientes presentes nos seres que morrem são reciclados por organismos na natureza.

Consultoria: Marcos Engelstein
Biólogo, professor de Biologia do Colégio Móbile e assessor de Ciências do Colégio Anglo-Brasileiro, ambos em São Paulo.

ALFABETIZAÇÃO - EDIÇÃO ESPECIAL - NOVA ESCOLA

Língua Portuguesa

Alfabetizar é todo dia

O professor deve planejar com antecedência e constantemente as atividades de leitura e escrita. Por isso, manter-se atualizado com as novas pesquisas didáticas é essencial

Thales de Menezes (novaescola@atleitor.com.br)
MÃO NA MASSA  As crianças precisam ser confrontadas com situações de escrita desde o início do processo. Foto: Ricardo Beliel

MÃO NA MASSA As crianças precisam ser confrontadas com situações de escrita desde o início do processo. Foto: Ricardo Beliel
Alfabetizar todos os alunos nas séries iniciais tem implicações em todo o desenvolvimento deles nos anos seguintes. Segundo a educadora Telma Weisz, supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, “a leitura e a escrita são o conteúdo central da escola e têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive”. Por isso, o desafio requer trabalho planejado, constante e diário, conhecimento sobre as teorias e atualização em relação a pesquisas sobre as didáticas específicas (leia o artigo abaixo).
Esta edição especial traz o que há de mais consistente na área. Hoje se sabe que as crianças constroem simultaneamente conhecimentos sobre a escrita e a linguagem que se escreve. Conhecer as políticas públicas de Educação no país e seus instrumentos de avaliação é um meio de direcionar o trabalho. Um exemplo é a Provinha Brasil, que avalia se as crianças dominam a escrita e também seus usos e funções. Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda e Silva, o grande mérito do teste de avaliação que mede as competências das crianças na fase inicial de alfabetização é fornecer instrumentos para o professor interpretar os resultados, além de sugerir práticas pedagógicas eficazes para alcançá-los. “É um material que ajuda o professor na reflexão porque nenhuma avaliação serve para nada quando se limita a constatar. Ela só faz sentido para mudar práticas e identificar as dificuldades de cada aluno.”
Telma Weisz

A saída é a formação do professor alfabetizador

Foto: Rogerio Albuquerque
Para desenvolver este artigo, parto de dois pressupostos. Primeiro: o que garante a qualidade da Educação que acontece de fato nas escolas é, sobretudo, a qualidade do trabalho profissional dos professores. O segundo: a qualidade do trabalho profissional dos professores tem dependido essencialmente da formação em serviço, pois a inicial tem se mostrado inadequada e insuficiente.

Diante disso, me concentro numa questão: a competência da escola pública brasileira para produzir cidadãos plenamente alfabetizados, requisito mínimo para falar em Educação de qualidade. É preciso admitir que nossa incapacidade para ensinar a ler e a escrever tem sido responsável por um verdadeiro genocídio intelectual.

A existência de um fracasso maciço, o fato de ele ter sido tratado como natural até poucos anos atrás e a fraca evolução desse quadro em 40 anos comprovam como vem sendo penoso ensinar os brasileiros que dependem da rede pública. Pesquisas de campo mostram a enorme dificuldade que os educadores têm para avaliar o que os alunos já sabem e o que eles não sabem. Aqueles que produzem escritas silábico-alfabéticas e alfabéticas na 1ª série e que teriam condições de acompanhar a 2ª série – pois podem ler e escrever, ainda que com precariedade – são retidos. Por outro lado, os bons copistas e os que têm letra bonita ou caderno bem feito são promovidos.

Quando se trabalha com esse tipo de indicador, até avanços na aprendizagem acabam sendo prejudiciais. Muitas crianças que aprendem a ler começam a “errar” na cópia. Elas deixam de copiar letra por letra e passam a ler e escrever blocos de palavras, em geral unidades de sentido. Isso faz com que cometam erros de ortografia ou unam palavras. O que indicaria progresso é interpretado como regressão, pois, por incrível que pareça, nem sempre o professor sabe a diferença entre copiar e escrever.

Essa é uma dificuldade de avaliação comum nos quatro cantos do país e que explica em grande parte por que muitos alunos de 4ª série não leem e não entendem um texto simples. Eles costumam ser os que terminam a 1ª série sem saber ler ou lendo precariamente. Nas séries seguintes, passam o tempo copiando a matéria do quadro-negro ou do livro didático. Ao serem perguntados sobre o que fariam para melhorar a qualidade da leitura e do texto produzido por esses estudantes, os profissionais que lecionam para a 2ª, 3ª ou 4ª série costumam dizer que não há o que fazer, já que eles foram mal alfabetizados e, além disso, as famílias não ajudam.

Nos últimos 25 anos, estive envolvida com programas de formação docente em serviço em todos os níveis possíveis: desde a implantação de uma unidade educacional até a formação em nível nacional. Essa experiência me dá condições de afirmar que não existem soluções mágicas para resolver em pouco tempo os problemas da escola brasileira. A qualidade da Educação – e especificamente da alfabetização – só melhorará quando as políticas educacionais forem um projeto de Estado e não de governo.
TELMA WEISZ é supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo
E não há tempo a perder. No início do ano, como agora, a tarefa essencial é descobrir quais as hipóteses de escrita das crianças, mesmo antes que saibam ler e escrever convencionalmente (leia mais sobre como fazer um bom diagnóstico). Assim, fica mais fácil acompanhar, durante o ano, a evolução individual para planejar as intervenções necessárias que permitam que todos efetivamente avancem. Essa sondagem inicial influi na distribuição da turma em grupos produtivos de trabalho, como mostra a reportagem Parceiros em Ação.
CERCADA POR TEXTOS  Todos os materiais escritos do cotidiano, como livros, jornais e revistas, devem ser levados para a sala de aula. Foto: Marcelo Min

CERCADA POR TEXTOS Todos os materiais escritos do cotidiano, como livros, jornais e revistas, devem ser levados para a sala de aula. Foto: Marcelo Min
Da mesma forma, organizar a rotina é imprescindível. Uma distribuição de atividades deve ser estabelecida com antecedência, contemplando trabalhos diários, sequências com prazos determinados e projetos que durem várias semanas ou meses (confira dicas preciosas sobre o planejamento). Ao montar essa programação, cabe ao professor abrir espaço para as quatro situações didáticas que, segundo as pesquisas, são essenciais para o sucesso na alfabetização: ler para os alunos, fazer com que eles leiam mesmo antes de saber ler, assumir a função de escriba para textos que a turma produz oralmente e promover situações que permitam a cada um deles escrever até que todos dominem de fato o sistema de escrita. A partir da página 34, você encontra as bases teóricas e casos reais de professoras que obtiveram sucesso ao desenvolver cada uma das situações (com sugestões detalhadas de atividades).

Sabe-se, já há algum tempo, que as crianças começam a pensar na escrita muito antes de ingressar na escola. Por isso, precisam ter a oportunidade de colocar em prática esse saber, o que deve ser feito em atividades que estimulem a reflexão sobre o sistema alfabético.

No livro Aprender a Ler e a Escrever, as educadoras Ana Teberosky e Teresa Colomer apontam que o desenvolvimento do aluno se dá “por reconstruções de conhecimentos anteriores, que dão lugar a novos saberes”. Essa condição está presente nos 12 planos de aula deste especial. Em todos, transparece a necessidade de abrir espaço para que a turma debata o que produz, permitindo que a reflexão leve a avanços nas hipóteses iniciais de cada estudante.
Expectativas para o 1º ano

COMUNICAÇÃO ORAL
• Fazer intercâmbio oral, ouvindo com atenção e formulando perguntas.
• Mostrar interesse por ouvir e expressar sentimentos, experiências, ideias e opiniões.
• Recontar histórias de repetição e/ou acumulativas com base em narrações ou livros.
• Conhecer e recontar um repertório variado de textos literários, preservando os elementos da linguagem escrita.

LEITURA
Foto: Fernado Vivas
• Ouvir com atenção textos lidos.
• Refletir sobre o sistema alfabético com base na leitura de nomes próprios, rótulos de produtos e outros materiais - listas, calendários, cantigas e títulos de histórias, por exemplo -, sendo capaz de se guiar pelo contexto, antecipar e verificar o que está escrito.
• Ler textos conhecidos de memória, como parlendas, adivinhas, quadrinhas e canções, de maneira a descobrir o que está escrito em diferentes trechos do texto, fazendo o ajuste do falado ao que está escrito e o uso do conhecimento que possuem sobre o sistema de escrita.
• Buscar e considerar indícios no texto que permitam verificar as antecipações realizadas para confirmar, corrigir, ajustar ou escolher entre várias possibilidades.
• Confrontar ideias, opiniões e interpretações, comentando e recomendando leituras, entre outras possibilidades.
• Relacionar texto e imagem ao antecipar sentidos na leitura de quadrinhos, tirinhas e revistas de heróis.
• Inferir o conteúdo de um texto antes de fazer a leitura com base em título, imagens, diagramação e informações contidas na capa, contracapa ou índice (no caso de livros e revistas).

ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL
• Conhecer as representações das letras maiúsculas do alfabeto de imprensa e a ordem alfabética.
• Escrever o próprio nome e utilizá-lo como referência para a escrita.
• Produzir texto de memória de acordo com sua hipótese de escrita.
• Escrever usando a hipótese silábica, com ou sem valor sonoro convencional.
• Reescrever histórias conhecidas - ditando para o professor ou para os colegas e, quando possível, de próprio punho -, considerando as ideias principais do texto-fonte e algumas características da linguagem escrita.
• Produzir escritos de autoria (bilhetes, cartas, instrucionais).

Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo
É fundamental levar para a escola as muitas fontes de texto que nos cercam no cotidiano, como livros, revistas, jornais, gibis, enciclopédias etc. Variedade é realmente fundamental para os alfabetizadores, que devem ainda abordar todos os gêneros de escrita (textos informativos, listas, contos e muito mais). E, nas atividades de produção de texto, a intervenção do professor é vital para negociar a passagem da linguagem oral, mais informal, à linguagem escrita.
O número mais recente do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), de 2007, mostra que só 28% da população brasileira está na condição de alfabetizados plenos. Para impedir que mais pessoas fiquem restritas a compreender apenas enunciados simples, o desempenho escolar nos anos iniciais precisa de resultados melhores. Essa preocupação deve ser compartilhada por professores e órgãos públicos. “O governo está fazendo uma intervenção específica nas séries iniciais para ter resultados rapidamente, com dois docentes por sala, material didático de apoio, formação continuada e avaliação bimestral”, afirma Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual de Educação de São Paulo.
Expectativas para o 2º ano

COMUNICAÇÃO ORAL
• Participar de situações de intercâmbio oral, ouvindo com atenção e formulando perguntas sobre o tema tratado.
• Ouvir com atenção crescente a opinião dos colegas, expressar suas ideias, relacioná-las ao tema e fazer perguntas sobre os assuntos abordados.
• Aprender a respeitar modos de falar diferentes do seu.
• Recontar histórias conhecidas, recuperando características da linguagem do texto original.
• Aprender a falar de maneira mais formal e, assim, se preparar para se comunicar em situações como entrevistas, saraus, recitais, cantorias e seminários, entre outras.

LEITURA
• Apreciar textos literários.
• Compreender a natureza do sistema de escrita e ler por si mesmo textos conhecidos.
• Com a ajuda do professor, ler diferentes gêneros (literários, instrucionais, de divulgação científica, notícias), apoiando-se em conhecimentos sobre tema, características do portador, gênero e sistema de escrita.
• Ler, por si mesmo, textos conhecidos, como parlendas, adivinhas, poemas, canções e trava-línguas, além de placas de identificação, listas, manchetes de jornal, legendas, quadrinhos e rótulos.
• Colocar em ação diferentes modalidades de leitura em função do texto e dos propósitos da leitura (ler para buscar uma informação, para se entreter, para compreender etc.).
• Coordenar a informação presente no texto com as informações oriundas das imagens que o ilustram (por exemplo, nos contos, nas histórias em quadrinhos, em cartazes, em textos esportivos e nas notícias de jornal).
• Ampliar suas competências leitoras: ler rapidamente títulos e subtítulos até encontrar uma informação, selecionar uma informação precisa, ler minuciosamente para executar uma tarefa, reler um trecho para retomar uma informação ou apreciar aquilo que está escrito.
• Analisar textos impressos utilizados como referência ou modelo para conhecer e apreciar a linguagem usada ao escrever (como os autores descrevem um personagem, como resolvem os diálogos, evitam repetições, fazem uso da letra maiúscula, da pontuação).

ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL
Foto: Gilvan Barreto
Foto: Gilvan Barreto
• Escrever alfabeticamente, ainda que com erros ortográficos (ausência de marcas de nasalização, hipo e hipersegmentação, entre outros).
• Reescrever histórias conhecidas, ditando-as ou de próprio punho.
• Produzir textos simples de autoria.
• Revisar textos coletivamente, com ajuda do professor e dos colegas, para melhorá-los e, assim, compreender a revisão como parte do processo de produção.
• Aprender a se preocupar com a qualidade de suas produções escritas, no que se refere tanto aos aspectos textuais como à apresentação gráfica.

Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo
As principais redes de ensino do país, como a estadual e a municipal de São Paulo, trabalham com a meta de alfabetizar as turmas em no máximo dois anos. Para garantir que essas expectativas de aprendizagem sejam atingidas, é preciso um compromisso dos coordenadores pedagógicos em utilizar os horários de trabalho coletivo para afinar a capacitação das equipes. “Pesquisas, debates e orientações curriculares têm de ser incentivados”, sugere Célia Maria Carolino Pires, que coordenou em 2008 o Programa de Orientações Curriculares da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Nos quadros acima, você confere uma lista, adaptada por NOVA ESCOLA, de expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa para o 1º e o 2º ano da rede municipal paulistana. Com base nela, você pode adequar suas propostas de trabalho e fazer com que, em 2009, nenhum aluno da turma fique para trás. Pois superar os desafios da alfabetização é apenas o primeiro passo para que todos tenham uma vida escolar cheia de aprendizagens cada vez mais significativas.